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terça-feira, maio 17, 2011

“Os livro mais interessante estão emprestado"

E agora Poeta?




Tem uma  língua nova no meio  de nosso caminho
No  meio de nosso  caminho tem uma língua nova
Você que é doutor,que é um mestre em linguística
o que será de nossas escolas,por  favor,me  diga?

                 Li na excelente coluna desta Revista Literacia, a Escrevivendo [AQUI]- do Poeta Affonso Romano de Sant’Anna, salvas e loas para a Presidente [é assim que deve ser dito e escrito], porque a mesma foi ao Teatro, e se confessou Leitora de obras ontológicas.
[Verdade ou mentira?].
Affonso Romano – escritor que admiro e gosto, desta feita me deixou perplexa [diria até desiludida-mesmo] com suas afirmações, quando enaltece de forma exagerada as virtudes de uma Dilma-culta , sem nem mesmo conhecer de fato a Rousseff- o que não é diverso de todos nós: - o que sabemos de fato sobre Dilma, além de ter sido guerrilheira e ativista na ditadura, chefe da Casa Civil e cúmplice do Mensalão?
Nos anos 70-72, integrei o MR8, andei pelos mesmos porões, e posso afirmar dentro dos movimentos:- os verdadeiros ativistas, não tínhamos tempo para ler, ou estávamos nas passeatas, ou escondidos, ou preparando ações de protesto. E os que foram presos, ao que saiba, não disponham de uma Biblioteca para horas de lazer cultural.
Nossa base de conhecimentos se formou após, quando nas Universidades , conquistamos conhecimentos, partimos da graduação para Mestrados e Doutorados, e no curso de nossas carreiras solidificamos os saberes adquiridos, somados a herança cultural – familiar de cada um.
            Cabe um olhar mais apurado sobre as palavras de Affonso Romano:
 O Poeta – até então para mim, um dos escritores que mais tocam o feminino com suas crônicas e poemas, no artigo citado, demonstra um machismo repugnante, ao reduzir as donas de casa a simples condição de quituteiras [profissão nobre-que respeito], quando afirma:
- “A nossa Dilma- digo "nossa" porque é   presidenta de todos e porque a imprensa, mesmo os mais recalcitrantes já estão caindo de amores por ela, e, repito, a "nossa" Dilma narrou que  é uma leitora. Isto já é um espanto num programa para donas de casa. Praticamente não se fala de livro em nossa televisão.”.
Pergunto a razão desta primeira fala:
Qual a causa do espanto?
E esclareço:
- Caro Poeta: - As ‘‘ donas de casa “hoje – século XXI ,segundo dados do IBGE –Ano 2010 ,em sua quase totalidade- 76 % são Leitoras e Letradas, abriram mão de suas carreiras-provisoriamente, para dedicação exclusiva ao lar e aos filhos, mas permanecem detentoras de títulos acadêmicos, dentre elas- Jornalistas, Professoras Universitárias, Dentistas, Químicas, Médicas, e até Pesquisadoras. Mulheres de formação acadêmica sólida, que certamente não assistem as tolices de Ana Maria Braga. 
De acordo com o próprio  "Ibope" da Globo, o público alvo deste Programa, são Mulheres que sequer concluíram o ensino médio, razão da linguagem articulada pela plastificada apresentadora e pelo boneco idiota que lhe faz par.
Outro ponto nebuloso, que questiono:- Qual imprensa está caída de amores por Dilma? Certamente a estadunidense, a chavista, a chinesa, porque a brasileira não está mesmo, muito pelo contrário, está é cerceada pela alcateia da Presidente, visto que- esperta ela é, não dá as caras- manda que façam o que sabe inconstitucional e imoral. Vide, meu querido Escritor, as normas do Senado para entrevistas e diálogos midiáticos. Você acha que Sarney-capacho e servo fiel do Planalto tomaria tal decisão sem o aval de Dilma?  Se assim é, volto a crer em Cegonhas e Papai Noel.
II.
Outro enfoque no artigo citado, que me deixou estarrecida:
      -  “Dilma é que foi encaminhando a coisa  contando algo sobre sua formação e sua relação familiar. E revelou: quando era jovenzinha gostava de ler, mas preferia os romances água com açúcar, aquelas  narrativas para moças, a coleção Mme Delly. Nada demais, é a idade. Mas aí entra a figura paterna. Ela narrou, então, que seu pai, búlgaro de nascença e, portanto, europeu e com outra formação em relação aos livros, preocupado com a cabeça da jovem, fez com ela um acordo: para cada livro que ele lhe desse da coleção água com açúcar, ela teria que ler um Dostoievsky.”
Aqui, Poeta, demais para esta pobre marquesa, quem tem por hábito ler Mme Delly, literalmente impossível dialogar com um Dostoievsky, o que é elementar, meu Nobre Mestre.
Jovenzinha, com 13-14 ou 15 anos, eu lia Carlos Heitor Cony [este por debaixo das carteiras], Olavo Bilac, Manuel de Barros, Machado de Assis, José de Alencar, Menotti del Picchia, Fernando Pessoa, e..., gosto e prazer adquirido graças à obrigatoriedade do currículo escolar, lia muito, e lia tanto, que ganhei de meu Pai uma lanterna para ler nos ocultos, pois as Freiras não permitiam as leituras noturnas nos dormitórios. 
Fico a imaginar onde “Esta” jovenzinha estudou, considerando que à época, as famílias de melhores posses, colocavam suas filhas em regimes de internato ou semi-internatos nos Colégios das Carmelitas, nos Santa Marcelina, nos Sacre Coeur e etc’s, onde recebíamos rígida formação, éramos monitoradas e orientadas em nossas escolhas literárias, e as Mme Delly’S? - banidas das riquíssimas estantes nas Bibliotecas ao nosso dispor. Ainda assim, mesmo com base firme de legente- esta jovenzinha aqui não foi capaz de entender Dostoievsky aos 15, o que só se deu lá pelos meus 19-20 anos, quando também meu encontro verdadeiro com Guimaraes Rosa, Saramago, Borges, Autran Dourado, Camões, e tantos mais.
Du-vi- d-o-do, que Dilma tenha lido Dostoievsky, como afirma, se leu- não entendeu bulhufas. 
O que é obvio para qualquer um que ouça a fala da Presidente, em seus improvisos. A criatura mal consegue desenvolver seus pensamentos, e o Poeta sabe que esta afirmativa é irrefutável: - o Leitor de fato, torna-se por consequência um bom Falante, domina seus pensamentos, elabora com eficiência suas ideias, articula o Discurso com clareza e exatidão. O que Dilma não sabe, e menos consegue.
A Presidente agora comete uma de suas maiores insanidades, ao homologar um livro didático para o ensino fundamental [distribuído em mais de 4.000 escolas deste Brasil tupiniquim], onde concordância e regência, normas gramaticais [especificamente-da sintaxe] exterminadas sem dó nem piedade, assassinando nossa Língua Pátria, propiciando assim um evento impar na história da educação e de máxima gravidade:- nossas crianças serão ensinadas a falar errado.
Diante de nós o rebaixamento do que se pretende como Educação no Brasil, do que se espera como formação básica de nossos “alunos”, que pelas razões postas podem continuar a falar e a escrever “os livro”, “nós vai”, etc...

Será que diante este crime linguístico, o Poeta e Professor ainda retém seu espanto e inexplicável admiração, por esta Dilma que alega ter lido Dostoievsky?  

E  agora Poeta...
Você que faz versos
Discursa-Professa
Você que é Doutor
Publica - Escreve
E agora Poeta...
Você que é letrado
Diga-me o que faço:
“Os livro mais interessante estão emprestado"?


Existe algo de “Dostoievski ano” nestas linhas Affonsinas, que minha reles filosofia, se recusa a desvendar.



Filipa Saanan

[Abaixo a Resposta de Affonso Romano de Sant'Anna]